quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dignidade

Esta semana uma moça chinesa começou a trabalhar conosco aqui em casa. Uma amiga que mora aqui em Zhuhai há bastante tempo intermediou as negociações como salário, horário, tarefas, etc.. Após esta ajuda ficamos sós, eu e minha nova ajudante.

Uma mulher pequena e magra como quase todo mundo aqui, parece ser jovem e tem uma filha de dez anos. Aliás, ainda não havia comentado, mas já não sou um ponto fora da média no que se refere a altura.
Uma das coisas negociadas, foi que até metade de Janeiro, ela só ficará meio período, pois, cozinha em uma outra casa. Esta é umas das qualidades dela. Cozinha muito bem,...comida chinesa..Vamos experimentar em breve.
Outro ponto importante, foi que como a filha de 10 anos fica todo o dia sozinha ela gostaria, se fosse possível, ficar em casa nos finais de semana. Notem que utilizei um "se fosse possível". Chama muito minha atenção eles adorarem crianças e mesmo assim devido a uma série de fatores só poderem ter um filho e no caso desta mulher, ter que deixá-la em casa e ajudar a cuidar os filhos dos outros.
Ela chega aqui por volta das 8:00 da manhã oque significa que a menina provavelmente se arruma sozinha para escola, vai e volta sozinha e espera a mãe chegar. Sei que é a realidade de muitos brasileiros, mas tudo isto só reforça o tamanho do privilégio de nossos filhos e quanto ainda precisamos trabalhar e amadurecer suas educações até poder deixá-los sós e responsáveis com tão pouca idade.

Confesso que a comunicação não é nosso ponto forte; mas uma pessoa que considero muito, uma vez me disse: "O que tem demais não falar inglês e ainda assim viajar para o exterior. Se falar fosse fundamental, mudos não viajariam".
Achei este comentário engraçado na hora, mas hoje, a cada dia isto faz mais sentido. Sem conseguir dizer nada em chinês e como na sua maioria os chineses em Zhuhai não entendem inglês, quem dirá português, sou uma muda, e acrescento.. Muda e analfabeta!
Só que ao contrário do que parece, isto está longe de ser um demérito; é fantástica a imensidão de possibilidades que se abre na comunicação sem palavras. Quem diria.. logo eu que sempre gostei tanto de falar.
Pior, continuo falando muito, com braços, gestos, pernas, roupas e tem dado certo.

Passam os dias e eu e minha ajudante estamos nos dando bem. Pelo menos de minha parte gosto dela, acho que ela também gosta de mim.

Outra coisa que me faz pensar é que, pelo menos os chineses continentais, que são com quem convivemos, são honrados.
Algumas pessoas podem dizer que é coisa de governo controlador, outros que é o poder da polícia, eu começo a ver que é algo bem mais profundo, é nato, é sincero. Um exemplo é o meu amigo da manutenção, lembram dele? Pois é, outro dia saiu para comprar um arame de roupa para mim (eles sempre me ajudam) foi, procurou, comprou e me trouxe a nota. Como foi algo totalmente feito pela boa vontade dele comigo quis lhe dar uns rbms (dinheiro) a mais, uma gorjeta como se diria no Brasil; isto aqui é simplesmente impossível. Ele não aceitou de jeito algum, afinal, uma ajuda é uma ajuda e não algo que se faz visando um reembolso.

Ontem fiz milho verde cozinho, duas espigas, para servir como um aperitivo ao meu bebe. Logo tínhamos quatro pedaços grandes. Ofereci um a minha ajudante e ela acreditando que aquilo fosse nosso almoço não queria aceitar de forma alguma. Olha que tive que gastar muita mímica e suor até convencê-la a aceitar um pedaço. Foi duro mostrar que estávamos bem e que ela podia aceitar...Ela mostrava o meu filho e dizia deixa ele comer, deixa ele comer (dizer não é bem a palavra, mas era o que deu para entender). Então novamente percebo; são magros porque tem pouca comida e mesmo assim, são honrados e demonstram preocupação com os outros.

O tempo, as coisas, as ações passam de uma outra forma por aqui.
Lembro da cena de um filme, acho que o nome era "Sete anos no Tibet", onde uma mulher lavava o chão e já no final da tarefa o homem interpretado pelo Brad Pitt vinha da rua e pisava com suas botas enlameadas todo o chão limpo. Ela, sem dizer uma palavra ou manifestar indignação voltava a recomeçava a limpar.

Vivendo aqui sinto o quão profundo é esta cena. As coisas são como são.
Algumas independente de nossa vontade acontecem e depois que elas acontecem não adianta a revolta ou a ira.
Minha lição neste caso foi que ver que é preciso Resignação para aceitar o que não se pode mudar, força para recomeçar e persistência para não desistir e estar sempre pronto a um novo começo.

Me comove e me enriquece esta convivência com eles.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Feriado em HK

Depois da virada de ano em Zhuhai fomos passar alguns dias em Hong Kong. Outro mundo.
É impressionante as mil faces que a China tem, cada lugar ou comemoração faz com que mudem totalmente o comportamento das pessoas e dos lugares.

HK e Macau são considerados regiões autônomas da China então é necessário passaporte e visto para ir de Zhuhai (China continental) para algum deste lugares.

Um pouco de conhecimentos gerais sobre Hong Kong que descobrimos na nossa visita...
Os idiomas são o cantonês e o inglês. Praticamente 100% da população fala inglês o que facilitou muito a nossa vida e de todos os turistas.
É dividido em duas partes pelo porto de Vitória. Na parte norte da ilha e na ponta sul de Kowloon ficam as principais atrações culturais, panorâmicas, restaurantes e locais para compras.
O sistema de metrô é muito organizado e eficiente atendendo os bairros centrais. Ônibus, bondes e taxi atuam a partir do centro para outros pontos, tambem a ferryboats entre HK e as principais ilhas.

Em uma das avenidas do Centro é possível encontrar todas as melhores grifes do mundo e ver os arranhas-céus mais impressionantes.
A sede do prédio do HSBC (Hong Kong Shangai Banking corporation) já foi um dos prédios mais caros do mundo, tendo custado HK$ (dolares de Hong Kong) 5 bilhões. Atrás do HSBC surge o Banco da China com linhas angulosas que contrariam o feng shui e tem influência agressiva, perto do terminal Star Ferry fica o edifício do Two International Finance Centre (IFC) mais alto de HK e o terceiro mais alto do mundo com 88 andares ou 415metros.

Saindo deste mar de edifícios fomos para o Pico Vitória, considerado um dos melhores lugares para se viver na cidade. O céu estava claro então a vista que se tem da cidade é espetacular.
Nos dias de colonia eram necessários muitos chineses com liteiras para levar suprimentos até as manões, em 1888 foi construído a Peak Tram e encurtou a viagem de 27O de uma hora para 10 minutos, bem uma hora eles levavam, eu certamente levaria pelo menos meio dia devido a inclinação e altura. Até bem pouco tempo os chineses eram proibidos de comprar imóveis no pico, hoje qualquer um pode comprar estas que estão entre as propriedades mais caras do mundo.

Descemos do pico e fomos para o Escalator que é na verdade 792m de escadas rolantes, considerado o mais longo sistema de escadas rolantes do mundo, é a melhor maneira de ir e voltar entre o Central, os mid levels e o Soho. No seu caminho é possível encontrar excelentes bares e restaurantes, bem como antiguidades e poções feitas sob medida por herboristas

Uma curiosidade: O domingo é o dia de folga de todas as empregadas, que no caso de HK são normalmente filipinas. Neste dia todas se encontram e a paisagem do centro se transforma totalmente. Mudam os rostos, as roupas, as vozes, os modos. Elas se encontram como uma grande comunidade e sentam-se para fazer piquenique nas passarelas e em algumas saídas de ônibus. Bem diferente.
Stanley - deste passeio um dos meus lugares preferidos.
Era uma vila de pescadores, mas hoje possui bares e restaurantes Tailandeses, Italianos, Vietnamitas, espanhóis e chineses, tambem se vê pubs em estilo inglês. Possui uma grande e emaranhada extensão de bancas vendendo roupas, peças de Jade, pinturas, seda e jóias, mas nada muito caro.
Também tem a Muray House um edifício que foi desmontado no Central, teve todas as suas pedras numeradas e foi reconstruído em Stanley em 1998.Se olharmos com atenção ainda é possível visualizar em algumas pedras da construção sua numeração.

Ocean Park, aqui gastamos um dia inteiro mas poderíamos ter ficados mais.
Possui sete áreas temáticas e um teleferrico panorâmico de tirar o fôlego pela beleza da vista da baía Deep Water, pela altura, quantidade de bondinhos e extensão. No parque visitamos os aquários do tubarões e arraias, os pandas que são o orgulho do local, aquários das Mães d'água com suas cores incríveis.. Na verdade aqui passei mal.. acho que tenho claustrofobia...mas os meninos e o Ed adoraram e também fomos no Kids world.

Desta vez foi o que conseguimos ver, foram três dias bem badalados. Hong Kong é um lugar para se voltar muitas outras vezes.