terça-feira, 24 de março de 2009

Estórias chinesas II

Para não generalizar, os chineses da província de Cantão, em sua grande maioria são incapazes de respeitar uma fila.
Sempre que se precisa esperar por algo em lojas, bancos, ou qualquer lugar onde se formem filas temos problemas.
As filhas até existem, mais assim não mais que de repente, se passa de primeiro a último em algo que de fila se transforma em bola de pessoas.
Esta estória que eu vou contar ocorreu com uma das estrangeiras que vive aqui e estava em transito para outra cidade também na China juntamente com seu esposo.
Na "fila"do check in, uma senhora natural daqui, vamos chama-la LyLi, tentou através de cotoveladas e imposição do corpo passar a frente desta estrangeira, Maria.
Maria não permitiu bloqueando a passagem da mulher e se grudando ao balcão da companhia aérea. Afinal, tinha finalmente chegado a vez dela e não seria agora neste momento que deixaria, mais uma vez, lhe furtarem a vez.
Feito o check in, chega a hora de irem para a aeronave. Já no corredor estreito que liga o prédio do aeroporto até o avião, as duas mulheres se cruzam e mais uma vez a chinesa literalmente atropela Maria passando no espaço que existia entre ela e seu marido.
Ao reclamar da falta de educação com a mulher, esta última se vira e dá um coice, isto mesmo, um coice no meio da coxa de nossa mocinha.
Maria de boca aberta pelo susto e pela dor, fica paralisada, enquanto seu marido avança para cima da mulher.
Maria tem que interceder, pois afinal de contas, são estranhos no ninho.
Ao registrar o ocorrido com a tripulação do voo, lhes explicaram que era necessário compreender que Lyli estava sob estresse e tensão.
Depois de uma semana de bolsas de água quente/ fria, a incrível marcar roxa continuava lá em sua perna.

**Para entender a questão das filas - Buscando conhecimentos e compreensão**
A província de Cantão por razões históricas que não podem e nem devem ser mencionadas aqui, teve períodos de muita fome onde as pessoas precisavam brigar por comida.
Isto explica as coisas exóticas na culinária e o ditado que diz que chinês como de tudo.
Algumas vezes recebiam comida, mas em quantidades pequenas que não eram suficientes para todos. Valia a lei do mais forte, aquele que conseguisse chegar primeiro se mantinha vivo mais tempo.
É certo que, assim como no Brasil, podemos sentir a marca deixada pela ditadura até hoje; aqui a fome também deixou suas marcas. Cada um dentro de suas devidas proporções.

Um comentário:

Marcelo disse...

Miroca!!!
Que saudades de vocês!!!

Espero que tu estejas guardando todas estas lembranças para lançar um livro quando voltares ao Brasil!!

Bjos pra vocês!
Marcelo Gasi