domingo, 12 de abril de 2009

Domingo de páscoa


Mesmo não existindo Páscoa na China, enviamos muitos e-mails para o coelhinho e não é que garantimos a visita do danado!
Ele veio durante a noite, nos deixou chocolates e tambem a lembrança de que Páscoa é ressurreição.

Bem diferente do Brasil onde os supermercados e lojas devem estar apinhados de todo o tipo de guloseima e ovos dos mais variados tipos, por aqui, no máximo se encontra algum ovinho de plástico e alguns restaurantes decorados.

Neste país, Cristo não existe, catolicismo não existe, movimentações religiosas são proibidas, logo não se podia esperar muita coisa.

Contrariando as probabilidades o coelho passou por aqui, deixando ovinhos pequenos mas muito coloridos em cestinhas de papel que os meninos pintaram e onde colamos algodão para o pelo do coelho.
Minha avó sempre diz: -"Quando temos muitas opções de alguma coisa, temos dúvida e logo a dúvida vira um problema. Se só se tivesse uma escolha a vida seria muito mais simples."
Muito certa ela está.
Com a falta de 'coelhos" os meninos ficaram vibrando com a pequena surpresa que receberam. Lição aprendida. A felicicidade está nas pequenas coisas; na lembrança, na emoção e não no tamanho do ovo.
Aproveitamos nossa família, foi bom acordarmos juntos, abraçar-nos e comemorarmos a vida que todo o dia recomeça.

Para o almoço, fomos a casa da Argentina que vive aqui e que sempre possibilita a sensação de estarmos em uma grande família. Foi ela que organizou a festa de Natal com chegada do Papai Noel e a ceia de Ano Novo
Mais uma vez adultos e crianças aproveitaram.
Os grandinhos conversando, descontraindo e dividindo a culinária mais diversa possível, pois, para facilitar cada um levou um prato.
As crianças tiveram caçada aos ovos de Páscoa (Foto), corrida do ovo, e várias outras brincadeiras, ou seja, se divertiram muito também.

Nossa vida aqui, com certeza fica mais leve, por termos a sorte de termos encontrado pessoas tão boas e especiais.

Feliz Páscoa a todos!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Noticias e consulta médica

Hoje o Thiago está melhor de sua super febre... em torno de 39,7 por quase 4 dias.
Ontem conseguimos ir ao médico.
Um africano, bem alto, com um chapéu do tipo safari. Uma figura que poderia ser no mínimo definida como impressionante para não dizer exótico.
Apesar da aparência e do tamanho, o doutor foi tranquilo e amável. Muito atencioso.
Para ficar do meu tamanho se dobrava ao meio.
Esta consulta merecia uma foto. Ficamos constrangidos de pedir.
O consultório era algo inesperado. Imaginem uma sala com mais ou menos 4 metros quadrados com as paredes repletas de figuras africanas, guerreiros, deusas indus, elefantes, com móveis tradicionais chineses, revistas, aquário, cortinas,um pequeno altar, mais 3 sofás e uma mesa de centro ... Acho que não preciso dizer mais nada. Deu para imaginar.
O Thiago além da febre, depois do terceiro dia apresentou umas bolinhas pelo corpo. descobrimos que o "veículo" (corante ou sabor artificial)do remédio chinês pode ter ocasionado alergia.
Apesar das aparências, saímos do consultório aliviados com nosso pequeno mais suas caixas de remédios. Que estão se mostrando muito eficientes.

Enquanto isto, no núcleo irmão mais velho, ficamos muito felizes quando nosso queridão chegou em casa com mais um cartão de reconhecimento.
Ainda não tinha sido publicado devido aos dias conturbados que tivemos.
Depois de quatro meses aqui e muitos feriados na escola, o Gabriel fez seu primeiro texto em inglês sozinho e começamos a perceber os primeiros sinais de fluência na língua inglesa.

domingo, 5 de abril de 2009

Coisas boas

Recebi noticias melhores de minha avó, junto com carinho de pessoas especiais no Brasil. Mais do que isto, recebi palavras de carinho e conforto de pessoas queridas que estão longe de casa também.
Recebi ajuda com a foto publicada no blog, adorei!
Agora o tamanho esta adequado sendo possível visualizar bem melhor.

Recebo ternura, incentivo, força de todos os lados. I am a very lucky person!!!!!

Obrigada a todos vocês, que independente da distancia se fazem tão presentes na minha vida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Impotências

Meu msn se nega a funcionar... já tentei de tudo desinstalei,reinstalei, pintei e bordei e nada... Acho que estou na malha da censura....Logo agora que preciso tanto estar conectada.

Minha avó segue doente, quanto mais os dias passam, mais recebo noticias de piora...
Hoje não tenho muito a dizer, quero ficar quieta.
Queria saber que ela está melhor, menos só, menos velha, mais longe do final...

Roubo um pensamento de Clarice Lispector:
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

quarta-feira, 1 de abril de 2009

paramatarsaudades

Thiago e sua capa de chuva

Conforme prometido segue fotos do Thiago com sua indumentária de chuva....



Frente e














verso

terça-feira, 24 de março de 2009

Estórias chinesas II

Para não generalizar, os chineses da província de Cantão, em sua grande maioria são incapazes de respeitar uma fila.
Sempre que se precisa esperar por algo em lojas, bancos, ou qualquer lugar onde se formem filas temos problemas.
As filhas até existem, mais assim não mais que de repente, se passa de primeiro a último em algo que de fila se transforma em bola de pessoas.
Esta estória que eu vou contar ocorreu com uma das estrangeiras que vive aqui e estava em transito para outra cidade também na China juntamente com seu esposo.
Na "fila"do check in, uma senhora natural daqui, vamos chama-la LyLi, tentou através de cotoveladas e imposição do corpo passar a frente desta estrangeira, Maria.
Maria não permitiu bloqueando a passagem da mulher e se grudando ao balcão da companhia aérea. Afinal, tinha finalmente chegado a vez dela e não seria agora neste momento que deixaria, mais uma vez, lhe furtarem a vez.
Feito o check in, chega a hora de irem para a aeronave. Já no corredor estreito que liga o prédio do aeroporto até o avião, as duas mulheres se cruzam e mais uma vez a chinesa literalmente atropela Maria passando no espaço que existia entre ela e seu marido.
Ao reclamar da falta de educação com a mulher, esta última se vira e dá um coice, isto mesmo, um coice no meio da coxa de nossa mocinha.
Maria de boca aberta pelo susto e pela dor, fica paralisada, enquanto seu marido avança para cima da mulher.
Maria tem que interceder, pois afinal de contas, são estranhos no ninho.
Ao registrar o ocorrido com a tripulação do voo, lhes explicaram que era necessário compreender que Lyli estava sob estresse e tensão.
Depois de uma semana de bolsas de água quente/ fria, a incrível marcar roxa continuava lá em sua perna.

**Para entender a questão das filas - Buscando conhecimentos e compreensão**
A província de Cantão por razões históricas que não podem e nem devem ser mencionadas aqui, teve períodos de muita fome onde as pessoas precisavam brigar por comida.
Isto explica as coisas exóticas na culinária e o ditado que diz que chinês como de tudo.
Algumas vezes recebiam comida, mas em quantidades pequenas que não eram suficientes para todos. Valia a lei do mais forte, aquele que conseguisse chegar primeiro se mantinha vivo mais tempo.
É certo que, assim como no Brasil, podemos sentir a marca deixada pela ditadura até hoje; aqui a fome também deixou suas marcas. Cada um dentro de suas devidas proporções.

Rainy day

Hoje acordamos com chuva fina e constante.
Preparei os meninos para a escola, como normalmente fazemos.
O Gabriel tem transporte na porta de casa, logo não temos problemas com a chuva.
Para o Thiago precisamos caminhar uns 15 minutos, então; eu uma mulher prevenida, já havia comprado uma capa de chuva que o cobre inteirinho da cabeça aos pés.
A capa tem um capuz com cara de Ursinho Puft e toda a turma impressa nas costas. Vou publicar uma foto assim que meu maridão voltar de viagem com nossa máquina de fotografia.
Saímos para a rua e como se não bastasse a chuva e a roupa do Thiago chamando a atenção de todo mundo, havia um super vento e minha sombrinha se desmontou no primeiro minuto.
Não desistimos e seguimos nosso caminho.
Foi então que eu percebi as cores das sombrinhas... É um festival, tem verde, vermelho, amarelo, brilhante, cinza,..
Fiquei olhando a rua e vendo todas aquelas cores lembrei de um comercial que eu havia no Brasil, uma rua onde apareciam muitas sombrinhas pretas e apenas uma vermelha no meio da multidão. Isto daria um bom poema quem sabe samba.

Em todos os lugares, mesmo nos mais simples e comuns, se observarmos atentamente podemos ver que existem contrastes. Aqui também é assim.
Todos os estrangeiros reclamam que os chineses não respeitam filas atropelando quem quer que esteja em sua frente, mas há também momentos de extrema gentileza.

Paramos em um sinal esperando a hora de cruzar a avenida, para minha surpresa uma mocinha veio se colocou ao meu lado e me ofereceu lugar na proteção de sua sombrinha. Pensei que era por causa do Thiago, mas não.
A medida em que outras pessoas chegavam desabrigadas iam sendo acolhidas por aquelas que tinham alguma proteção.
Atravessamos a rua, agradeci e seguimos o nosso caminho. assim como os outros que compartilharam deste momento.
Esta é uma boa maneira de começar o dia.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Crenças populares Chinesas

Aos poucos descubro que muito mais do que estarmos do outro lado do mundo geograficamente; nossas crenças também são avessas as chinesas.

Longe de afirmar que as praticas são eficazes ou corretas, as menciono para ilustrar a crendice popular. Se alguém quiser testá-las, alerto que é por sua conta e risco.

Para o chineses a comida possui muito mais que vitaminas. Eles carregam em si características curativas e o poder de esquentar ou esfriar o organismo.

O indivíduo deve observar o seu estado físico e mental antes da ingestão de qualquer alimento, bem como, as características frias ou quentes do que esta comendo.
Por exemplo, Abacaxi que consumimos amplamente no verão, aqui é considerado um alimento quente; deve ser comido apenas na primavera, de preferência após passar por uma mistura de água e sal para tirar a acidez. Comê-lo no verão pode causar problemas de saúde.

Chá de flor de Maçanilha ou camomila, também é quente. Indicado para inflamações da garganta, ouvidos ou sinusite.

Em estado febril, o indicado é cobrir-se com muitos cobertores para que o corpo transpire o máximo possível, depois desta sauna, ir diretamente para o chuveiro e tomar um banho bem quente e com muito vapor.

Em caso de gripe ou resfriado, serve a mesma orientação acima, acrescentando-se a ingestão de muita água quente. Adicionalmente, dormir o máximo possível.

Para problemas de indigestão alimentar, o aconselhado e sentar-se no chão, pernas juntas e estendidas a frente do corpo e com ambas as mãos fechadas, ir dando batidas ao longo das pernas por alguns minutos.

Em caso de vomito nunca deve-se lavar a cabeça, prejudica a recuperação, pois, atrapalha o fluxo sanguíneo.

Para afinar a cintura praticar bambolê diariamente.

Para reduzir o volume do estômago (barriga) fazer exercícios de alongamento em pé, esticando os braços e forçando o tronco para trás.

Até a próxima.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sentar-se a Janela

Meu blog chegou a marcar das 3.000 visitas.

Não imaginei que eu teria constância.
Graças aos leitores-amigos (recebo e-mails e recados maravilhosos), me mantive motivada.

Estou feliz e agradecida a todos vocês que nos acompanham e com quem posso ter "conversas virtuais"tão significativas.

Para agradecer esta marca, vou publicar algo que recebi de uma amiga, de autoria de um Jornalista conhecido. Achei oportuno, lindo e verdadeiro.

Chegar na China, desacelerar minha vida e começar a aprender, me possibilitou sentar na janela.
Gostaria que todos pudessem fazê-lo por um instante que fosse.


SENTAR-SE À JANELA

Alexandre Garcia


Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme.

Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o
vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada
vez mais rápido até a decolagem.

Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens,
chegando ao céu azul.
Tudo era novidade e fantasia..

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o
início, voar era uma necessidade constante.

As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a
estar em dois lugares num mesmo dia.

No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos
de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de
esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e
tal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de
me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades
abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.

Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido
e sair rápido.

As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair
sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora,
com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem,
comigo mesmo.

Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para
voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba
o mais rápido possível.

O voo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na
última poltrona.
Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.

Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela.
Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me
preocupava em olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez
que voara.
Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga.
Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela
chuva, apareceu o céu.

Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que
brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava
deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela
vista.

Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha
vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por
exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do
meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela
janela da nossa vida.

A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o
que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias,
tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.

Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar,
sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que
a viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do
corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um
pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é
anunciada pelo comandante.
Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder
nenhum detalhe.
Afinal, 'a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos'. já!